Sunday, February 29, 2004

Curling



No post anterior eu havia mencionado alguns esportes poucos praticados no Brasil. Acontece que, apesar de serem pouco praticados, o hockey e o rugby até que são bem conhecidos dos brasileiros.
O fato é que quando eu cheguei aqui descobri a existência de esportes que eu realmente nunca tinha nem ouvido falar. Um deles é o curling. Adoraria poder dar uma de esperta e explicar exatamente como ele é jogado mas a verdade é que eu só faço uma vaga idéia. Sei que o curling é um esporte bem popular no Canadá e pode ser jogado de igual para igual entre pessoas de todas as idades. Ele me lembra um pouco o boliche mas é disputado entre duas equipes e, ao invés da bola, utiliza-se umas pedras que deslizam sobre uma pista ou sobre o gelo (quando joga-se ao ar livre). Um dos jogadores lança a pedra e os outros vem "abrindo caminho" com umas vassorinhas até que a pedra pare em uma posição estratégica sobre um grande "alvo" pintado no chão. Aí vem o outro time e faz a mesma coisa mas tenta achar uma melhor posição sobre esse alvo e deslocar a pedra do outro time. Difícil de explicar principalmente quando não se tem certeza do que está falando. Diria que é um esporte intermediário entre o boliche e a bocha. Quem sabe eu não tento jogar um dia!
Para quem quiser tentar jogar on-line eu achei dois sites interessantes de versões mais simplificados do jogo. Clique aqui ou aqui para tentar. :)

Wednesday, February 25, 2004

Eu recomendo II



Fala-se tanto sobre os brasileiros morando no exterior mas ouve-se tão pouco sobre os estrangeiros morando no Brasil. :(
É por isso que eu amei o site Gringoes que é direcionado para aqueles que, por uma razão ou outra, escolheram o Brasil para morar. O site é em inglês e traz desde informaçoes sobre atividades bem brasileiras até dicas sobre onde praticar esportes pouco conhecidos no Brasil como o Rugby e o Hockey, por exemplo.
É muito interessante para quem quiser dar uma olhadinha no Brasil com os olhos dos outros. Vale a pena conferir! :)

Sunday, February 22, 2004

A dança dos casacos



Nunca em toda minha vida pensei que fosse dizer isso mas não é que -1C é uma temperatura agradabilíssima?
No início do inverno, quando os termômetros começam a marcar temperaturas mais baixas, a gente acha que é o fim do mundo e fica de mau humor por ter que começar o ritual dos casacos. O fato de ter que se agasalhar mais para sair de casa e a expectativa de mais um longo inverno obviamente não é muito excitante para a maioria. Mas aí a temperatura continua descendo, a gente é obrigado a passar intermináveis semanas de baixo de temperaturas ridiculamente baixas e acaba descobrindo que era feliz e não sabia. Quando esfria de verdade mesmo fica todo mundo praticamente irreconhecível, cada um escondido dentro da sua "armadura" e sair de casa vira quase uma operação de guerra: tirar a neve de frente de casa, de cima do carro, vestir um super casaco, um super gorro, calçar as botas, as luvas, não esquecer do protetor labial, do hidratante...

Nem precisa dizer que quando finalmente voltamos ao -1C é uma alegria só! Ninguem nem liga para o fato de ainda estar frio. O simples fato de não estar super frio já faz a nossa alegria. Sexta-feira saí de casa toda encapotada e cheguei até a passar calor. Que sensação maravilhosa o calor... Tirei o cachecol e o gorro no meio do caminho e vi um menino andando na rua só de camiseta. Uma loucura. Resolvi, então, que havia chegado a hora de guardar o meu 'casaco- super- pesado' até o próximo inverno e tirar o 'casaco - simplesmente- pesado' de dentro do armário. Próximo casaco da lista? 'Casaco- leve- de primavera'. Mal posso esperar!! :)

Monday, February 16, 2004

Complexo de faquir



Essa é a quarta temporada do Hotel De Glace (hotel de gelo) aqui em Quebec. Um hotel que cobre uma área de 2000m2 e é inteirinho feito de gelo: paredes de gelo, obras de arte esculpidas em gelo, camas de gelo, copos de gelo, gelo, gelo, gelo... Parece loucura mas ouvi dizer que ele está sempre lotado!
O hotel só funciona durante o inverno. Melhor dizendo, ele só existe durante inverno por que assim que começa a esquentar ele começa a derreter como um picolé gigante e acaba tendo que ser reconstruído todos os anos. O mais curioso é que a temperatura ambiente é tão baixa que eles são obrigados a manter as bebidas do bar em uma geladeira para que elas não congelem do lado de fora. Mesmo assim tem muita gente que acha tudo o máximo e que escolhe até fazer a festa de casamento lá dentro.
Para poder passar uma noite lá, o hospede tem que fazer antes um cursinho básico de sobrevivência e seguir algumas regras. Todos recebem um saco térmico para dormir mas não podem se agasalhar demais por que se começarem a transpirar durante a noite, o suor pode virar gelo e baixar ainda mais a temperatura do corpo o que pode ser bem perigoso.
Alguem se habilita??

Tuesday, February 10, 2004

Eu recomendo


E não é que a febre está contagiando a família e minha irmã começou um blog para ela também?? Ela ainda está lá no Brasil mas logo, logo vai bater asas e voar também. :)

Para conhecê-la dê uma passadinha lá no

É o seguinte...


Q

Saturday, February 07, 2004

Sábado


Me lembro que quando eu era criança, o locutor da rádio que meu pai costumava escutar recitava um determinado poema do Vinícios de Moraes todos os sábados de manhã. Ele o fazia de uma foma tão dramática que, além de incitar a minha curiosidade, me impressionava imensamente. Hoje, assim de repente, me bateu uma saudade imensa dos sábados da minha infância, saudades dos sábados com os meus pais no Parque do Ibirapuera, saudades do que a minha família costumava ser naquela época e aí acabei me lembrando do tal poema:

"(...) Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um inocente na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Há umas difíceis outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva de domingo
Porque hoje é sábado. (...)"


da poesia "O dia da criação" de Vinícios de Moraes.


Friday, February 06, 2004

Porteiro Zé



Uma das desvantagens de estar morando fora é a facilidade com que acabo me desatualisando das novidades lá do Brasil. Tento ler diariamente as notícias pela Internet mas é claro que não é a mesma coisa. As vezes chego até a sentir falta de uma boa porcaria da TV brasileira tipo "Domingão do Faustão" ou de uma novelinha das oito, por que não. E aí quando chego no Brasil preciso passar alguns dias me sintonizando para entender melhor quem é quem no "novo" cenário da música e da televisão brasileira. Me senti anos luz atrasada quando disse que nunca tinha ouvido uma música da Maria Rita, por exemplo, ou que não fazia a menor idéia de quem fosse a tal da Kelly Key.

Dessa vez, no entanto, tive a agradável surpresa de descobrir um outro tipo de celebridade. Uma personalidade que nasceu na Internet do Brasil: o porteiro Zé! Para todos que, como eu, moram ou já moraram em grandes edifícios residenciais, ele é simplesmente hilário. E olha que ele já tem website prórpio e até um blog. Se ele não é mais novidade no Brasil, ainda é para mim. Não canso de assistir os episódios "da Veja" e da "Dona Valéria", por exemplo. Vale a pena conferir! ;)

Wednesday, February 04, 2004

Alarme falso


Dizem que esse mês de janeiro bateu recordes de temperaturas baixas aqui em Montreal. Quando voltamos do Brasil percebemos rápidinho que -25C havia se tornado praticamente uma constante nos termômetros da cidade. E são -25C marcados no termômetro mesmo, sem se levar em consideração o fator vento que chegou a proporcionar uma "sensaçao térmica" de -40C várias vezes em um intervalo de poucos dias. A gente se protegeu como pôde, saindo de casa o mínimo possível e tomando bastante cuidado para não ficar doente.

Mas aí o mês foi acabando e a temperatura começou a subir um pouquinho. Para a alegria de todos, no fim de semana passado os termômetros chegaram a registrar míseros -4C e eu juro que até ouvi uns passarinhos cantando por aí no sábado de manhã. :) Alguns otimistas já consideravam que o inverno estivesse chegando ao fim mas noite passada recebemos um grande balde de água fria. Melhor dizendo, um grande balde de neve. Bem geladinha. Se tem uma coisa que eu aprendi nesses 2 anos morando aqui em Montreal, é a não ter esperanças de ver a primavera antes do fim de março. :(

Definitivamente, o inverno cansa. A neve é linda mas complica a vida da gente. Principalmente para quem não está acostumado. Só para ilustrar: geralmente vou de carro para a faculdade toda quarta-feira por que a aula termina cedo (fora do horário de pico) e o ônibus demora muito mais para passar. No entanto, essa manhã encontrei o meu carro assim:



Não teve jeito. Bateu preguiça. Peguei o ônibus.

Tuesday, February 03, 2004

Super Bowl II


Acontece que o comercial ao qual eu havia me referido no post anterior não era da Cadillac mas sim da Chevrolet. Para quem estiver interessado em assistir é so clicar aqui e para quem quiser ver outros comerciais que foram exibidos nos intervalos do Super Bowl visite este site. Recomendo um do cartão Visa chamado "Kerri & Misty Play Snow Volleyball" e um da Pepsi chamado "Purple Haze". Enjoy! :)

Monday, February 02, 2004

Super Bowl



Ontem foi dia de Super Bowl e todo mundo aqui parou para ver. Mesmo quem não acompanha a temporada do campeonato de futebol americano faz um esforcinho para assistir o último jogo. Aqui em casa já está virando tradição reunir alguns amigos e assistir o jogo juntos. Dessa vez, no entanto, resolvi fazer algo mais do que apenas me certificar de que a cerveja estivesse gelada ou de que os nachos estivessem a gosto de todos: resolvi tentar entender o jogo! Com um pouquinho de boa vontade comecei a finalmente compreender o papel do quaterback, do receiver, da contagem das yards, de uma yellow flag etc.
Sabe que o jogo até que é interessante?? Claro que não pode ser comparado à emoção do "futebol brasileiro" mas surpreendentemente ele não é assim tão nonsense como eu havia imaginado. Até cheguei a me empolgar em alguns momentos.

Mas a atração principal, na minha opinião, ainda continua sendo os comerciais de 1 milhão de dólares. Já que cada inserção de comercial nos intervalos do jogo não sai por menos de 1 milhão de dólares eles capricham mesmo. Os da Pepsi são sempre muito bons mas acho que o meu preferido esse ano foi o de um carro que agora eu não me lembro o nome (acho que era um Cadillac) mas que mostrava umas criancinhas com sabão na boca por terem soltado um belo palavrão na hora que viram a máquina.

Aí veio o show do intervalo que é sempre repleto de estrelas. Esse ano se apresentaram Janet Jackson, Kid Rock, P. Diddy, Nelly e Justin Timberlake. O escândalo da noite ficou por conta de Janet Jackson e Justin Timbarlake que cantaram juntos a música Rock your body e ao cantar a letra "Going to get you naked by the end of this song", Justin arranca o top de Janet e a deixa com o seio de fora na frente de milhões de telespectadores perplexos. Eles estão se desculpando e dizendo que foi um acidente mas.... eu não acredito muito não. Acho que foi um ato de solidariedade de Janet ao seu irmão Michael. Quem sabe assim eles param de falar dele e prestam mais atenção nos atributos dela? ;) Veja fotos.

Friday, January 30, 2004

My big, fat, Canadian wedding



Sábado passado fomos ao casamento de nossos amigos (e agora vizinhos) Stephan e Stephanie. Sempre amei poder compartilhar o grande dia com os noivos mas acho super estranho o cronograma de uma festa de casamento por aqui.

Para começar, a cerimônia é geralmente marcada para o inicinho da tarde tipo 13h00 ou 14h00 e todo mundo acha super normal. No Brasil tem muita gente que iria perder a hora por não conseguir levantar "tão cedo" em pleno sábado. :)

Depois da cerimônia os noivos vão para alguma locação que pode ser algo como o Jardim Botânico ou o centro velho de Montreal para tirar fotos por algumas horas. Enquanto isso os convidados estão oficialmente dispensados até a hora do jantar. Dá até para ir para casa tirar um cochilo se você quiser.

Mais tarde os convidados se encontram novamente com os noivos em uma sala de recepção. O mais engraçado é que se os noivos não quiserem (ou não estiverem em condição) eles não convidam todos para o jantar. Convidam só a familia e os amigos mais chegados. Os outros convidados vão chegando mais tarde quando o jantar já foi servido e a pista de dança está começando a esquentar. Não sei se o ritual é o mesmo no Canadá inteiro mas foi desse jeito em todos os casamentos que eu fui aqui em Quebec.

No Brasil já é um escandalo quando alguem é convidado só para a cerimônia e não para a festa imagine ser convidado para a festa mas não para comer!
E quando conto por aqui que um casamento lá no Brasil geralmente não começa antes das 18h00 fica todo mundo horrorizado: "Mas onde vocês vão tirar as fotos? Dá tempo de fazer tudo? A gente espera a vida inteira pelo dia do casamento para o dia ser assim tão curtinho! Não deve ter a menor graça". Aí eu faço aquela cara de paisagem de quem não tem uma resposta muito convincente para dar...

Wednesday, January 28, 2004

O amor é contagioso


Patch Adams (o verdadeiro) visitou hoje o Children's Hospital de Montreal. Vi uma breve entrevista com ele no noticiário das 18h00 e gostei muito! Ele parece ser um cara de muita perspicácia e fiquei com vontade de pesquisar mais sobre a vida dele. Entre outras coisas, ele elogiou o fato de o sistema de saúde ser público no Canadá e criticou o governo do seu país que prefere gastar milhões em uma guerra ao invés de investir mais na saúde de seus cidadãos. Hmmmm....
Ainda me assusto quando preciso ir à um médico por aqui. Entro e saio sem abrir a carteira. O sistema não é maravilhoso mas funciona e é para todos. Eu gosto! E parece que o Patch Adams também aprovou. :)
Para ler mais clique aqui.

Tuesday, January 27, 2004

:)


Compramos ingressos para o show do John Mayer que acontecerá aqui em Montreal no dia 15 de março. Gosto muito das músicas dele(principalmente das letras) e dizem que ao vivo ele é ainda melhor. YAY!!!!O Joey está quase ficando com ciúmes tamanha excitação de minha parte.

Sunday, January 25, 2004

450 anos



Já que esse parece ser o assunto do domingo aí no Brasil, resolvi colocar aqui uma foto do MASP que tirei da ultima vez que estive lá na Av. Paulista. Coloquei também a foto de um quadro que eu pintei (sim, eu ainda gosto de brincar de tinta e pincel) quando estava me despedindo da cidade em 2001.
Por falar em comemoção aos 450 anos de São Paulo, li a letra da tal musica que a Rita Lee fez em "homenagem" as meninas paulistas. Talvez seja um pouco de má vontade da minha parte ou talvez seja culpa do meu senso de humor pouco apurado mas não achei a menor graça e nem tão pouco me senti homenagiada com a tal letra:

AS MINA DE SAMPA
(Rita Lee / Roberto de Carvalho)
As mina de Sampa são branquelas que só elas,
pudera!
Praia de paulista é o Ibirapuera.

As mina de Sampa querem grana, um cara bacana,
de poder!
Um jeito americanês de sobreviver.

As mina de Sampa são modernas, eternas dondocas!
Mas pra sambar no pé tem que nascer carioca.

Tem mina de Sampa que é discreta, concreta,
uma lady!
Nas rêivi ela é véri, véri krêizi.

Eu gosto as pampa das mina de Sampa!

As mina de Sampa estão na moda, na roda, no rock,
no enfoque!
É do Paraguai a grife made in Nova Iorque.

As mina de Sampa dizem mortandeila, berinjeila,
apartameintu!
Sotaque do bixiga, nena, cem pur ceintu.

As mina de Sampa conhecem a Bahia, por fotografia,
que natureza!
Toda menina baiana vive na maior moleza.

As mina de Sampa dão duro no trampo, no banco,
mãos ao alto!
Ou dá ou desce ou desocupa o asfalto.
Eu gosto às pampa das mina de Sampa


Alguem aí conseguiu encontrar a tal homenagem??

Wednesday, January 21, 2004

La rentrée



Sempre gostei de ir à escola. Me lembro de que quando estava no primário costumava esperar anciosamente pelo retorno das férias. A antecipação era tanta que chegava até a perder o apetite. Infelizmente já vai longe o tempo em que algo assim me fazia perder o apetite ao invés de aumentá-lo. E como eu gostava de ir à papelaria com os meus pais para comprar os ítens da famosa lista de material! Eles se desesperavam com a quantidade e os preços mas eu ficava fascinada com todos os meu kits de canetinhas, purpurinas, cadernos de ortografia e vários tipos de réguas.

Aí vieram os anos do ginásio e do colegial (será que essa 'nomenclatura' ainda existe??) e a excitação com a volta às aulas foi diminuindo. O legal não era mais ir á escola mas, sim, estar de férias. E não sei por que mas a minha lista de material não incluía mais o giz de cera ou a tinta guache. Foi tudo ficando bem menos colorido e muito mais sério e pesado...

Confesso que alguns anos mais tarde voltei a sentir uma grande excitação ao começar na faculdade. Mal podia acreditar que estivesse entrando finalmente para o mundo dos universitários, o mundo dos adultos (pelo menos eu achava que era) e até me peguei contando os dias para poder virar "bixo". Foram cinco anos "enjaulada", a excitação se transformou em agonia e eu já não via a hora de sair de lá. Eu me formei, o tempo passou mas cá estou eu novamente: pronta para começar mais um semestre letivo. Ainda estou na dúvida se devo ficar feliz ou triste, excitada ou deprimida. Pelo menos eu ainda posso "brincar de massinha" durante as aulas...

Às vezes acho que , de alguma forma, ainda sou um pouco aquela menina do primário. Ainda gosto de estudar e fico toda contente quando recebo um elogio da professora mas com a diferença de que agora conto os dias para poder trabalhar como gente grande.

Tuesday, January 20, 2004

"Mini me"


Inspirada pela idéia do blog A Gurizada deixo aqui uma foto minha de quando era criança. Pequenininha e de botas ortopédicas mas já pensando na vida...




Sunday, January 18, 2004

Complexo de Miss



Devia ter uns 12 ou 13 anos quando, seguindo uma recomendação do meu pai, li "O Pequeno Príncipe" pela primeira vez. Para falar a verdade não me lembro muito bem do que achei do livro na época mas guardei comigo o conselho de lê-lo novamente em diferentes épocas da minha vida.

Há pouco tempo decidi que havia chegado a hora de ler a versão original do livro e, depois de uma breve pesquisa na biblioteca da faculdade, trouxe para casa uma cópia do livro em inglês. Não era bem o que eu estava procurando mas resolvi ler assim mesmo. E não é que bastaram algumas páginas para que as lágrimas começassem a rolar pelo meu rosto? Quando foi que eu fiquei assim tão mole? Justo eu que sempre fui tão durona para esse tipo de coisa me pego de repente toda comovida no melhor estilo concorrente ao Miss Brasil!

Talvez o fato de estar morando aqui tão longe esteja me afetando mais do que eu havia imaginado. Ou talvez haja realmente muito mais nessa história de pequenos asteróides, raposas, rosas e espinhos do que os meus 12 anos me permitiram um dia compreender.

Comovido com as minhas lágrimas, o Joey me deu de presente a versão original do livro em francês para que eu possa ler e reler quantas vezes quiser. Acho que vou dar mais uns 15 anos antes de me aventurar novamente. Quem sabe o que vou achar do livro então...

Friday, January 16, 2004


As aulas recomeçam só na semana que vem mas hoje já tive acesso à minha grade horária para esse semestre. Dessa vez serei obrigada a fazer apenas quatro matérias o que significa que irei à faculdade três vezes por semana, terei que ir um dia ao hospital para fazer um estágio clinico e ainda terei um dia inteiro livre para continuar trabalhando. Até que não é nada mal.
Enquanto isso eu estou passando esses últimos dias de férias aqui em casa, ouvindo John Mayer e curtindo uma mistura de saudades e melancolia.

Wednesday, January 14, 2004

Os expatriados



A edição 642 da International Press publicou uma reportagem sobre a vida dos brasileiros vivendo no exterior. Há vários depoimentos interessantes sobre as vantagens e as desvantagens, as alegrias e as tristezas de se viver fora do Brasil. Para ler clique aqui.

Sair do Brasil foi uma decisão muito fácil para mim. Me apaixonei e vim. :) O coração mandou e eu obedeci. Mas quando a gente pega o avião e deixa tudo para trás não faz ideia do tamanho da mudança que está fazendo. E eu não estou falando só de geografia ou de qualidade de vida. Estou falando de identidade!

Quando estou aqui me sinto muito brasileira e quase sempre estou falando do Brasil com as pessoas com quem me relaciono. Quando estou no Brasil me sinto um pouco canadense e o fenômeno se inverte. A verdade é que eu não me sinto completamente em casa nem aqui nem lá. Acho que parei no meio do caminho. Não sei se serei capaz de morar aqui para sempre mas também não sei se gostaria de voltar a morar no Brasil. Confuso, né? Será que todo mundo que mora fora do Brasil sente isso também?

Tuesday, January 13, 2004

Dor no Coração



Já estamos de volta à Montreal!
Um pedaço de mim está feliz por estar de volta à minha casa mas o outro está devastado por ter deixado o Brasil para trás. Acho que nunca foi tão dificil me despedir da minha familia como dessa vez! Tanta coisa acontece em um ano...
Quando nos despedimos em janeiro de 2003 mal podiamos imaginar todas as surpresas que o ano ainda nos reservava. Enquanto abraçava minha irmã e minha mãe ontem no aeroporto so conseguia pedir a Deus para nos dar a chance de estarmos juntas novamente em breve.